quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

O aluno pestilento chegou na sala de aula. Foi passando peste bem baixinho no ouvido dos coleguinhas. Cada criança, no fim do dia, fedia carne putrefada, fezes de gato, vomito, pus.
A única que não pegou a peste foi a professora: ela era a hospedeira desses segredos.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

GReaT DReaM

É estranho quando seus medos não têm nenhuma relação com a realidade.
Mais uma vez pensei em escapar da minha vida dormindo. Mas eu só acordava sem noção de tempo e com olheiras.
O pior é que não posso culpar um "você" de alguma letra de rock melancólico: isso é só meu!
A voz de BC corta meus ouvidos querendo me fazer sentir dor, mas a única dor que sinto é em minhas costas. Eu realmente preciso de férias de mim mesmo
(Isso é redundância? acho que não... Eu sufoco a mim mesmo reciprocamente com minhas mãos em meu próprio pescoço!).
Como eu queria estar em cima de uma bicicleta, derretendo ao sol e não vozes humanas...
Meus sonhos tem muita gente, muitos diálogos, muita cobrança...
Eu quero ficar em cima do muro mesmo!
-PT ou PFL?
-Seu cu!
Tem algo me travando, e eu tento pôr a culpa no externo...
O mais pior de tudo é que o passado não pode me ajudar desta vez. Tem alguém gritando: PRESENTE!! PRESENTE!!
Sick. Tired. And homeless.
Como eu queria só ficar sentado em uma sarjeta, falando bobagens e só me preocupar com a aula de amanhã cedo. Mas não há amanhã cedo...
E mais uma manhã eu durmo, fugindo de minha casa, meu dia, minha geladeira e principalmente de meu sonho que acabo de tentar esquecer.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Hoje e ontem

Eu chorei ontem:
Taiguara na vitrola,
vinho no copo de requeijão
e um álbum velho.
Queria estar distraido em meu quarto cortando uma revista qualquer.
Estou só no chão da sala!
Sozinho no chão da sala ou somente no chão da sala?
Como diria Charlie Brown: Ah, vida!
Levanto e viro o disco.
Sim, só o vinil, sem sentido figurado.
Esse disco ainda vai tocar por um bom tempo...
Então que Josué olhou seu mão esquerda. Lembrou-se de toda a dor que sentiu ao tê-la esmagado pela máquina. Só restaram três dedos. Dois e meio na verdade. Pegou o cortador de unhas e aparou as duas que sobraram.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Mais uma vez,
Minha mão esquerda treme.
Ainda são 12:51.

terça-feira, 15 de julho de 2008

coisinhas pessoais...

Não gosto de escrever coisas pessoais, mas o momento me trouxe sensações que nunca mais havia sentido.
Aquela corda que amarra o estômago, o olho que não pára de gritar, as músicas...
Agora estou ouvindo a Rádio UFSCar (www.radio.ufscar.br), tocando Mallu Magalhães... Já ouvi em casa meus cds da Marina de la Riva, Druques, até Smashing Pumpkins... Eu realmente não sentia tanto medo do futuro faz um bom tempo...
Realmente gostaria de não gostar tanto assim. Acho que o tempo foi matanto a sementinha, e minha conversa com minha mãe (talvez um presságio...) sobre a solidão foi pra me preparar pra esse futuro tão frustrante.
Sei lá, só o futuro pode nos apresentar o que virá. Tudo em seu tempo certo...

terça-feira, 10 de junho de 2008

Frase do Dia:

"Nao me beija, nao. Nao quero pegar conjuntivite."
E depois vem falar que me ama...

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Frase do Dia

"e fica fazendo perguntas para os professores que nem são dúvidas de verdade.... é só para mostrar que sabe..."
Thaís fazendo meu dia!
saudades...

Ficção

No circo, Bombinha era um a das principais atrações. Bombinha, o anão atirador de facas. Vinha a frente do caminhão ao chegar nas cidades. Nasceu no circo. Cresceu no circo. E se reproduziu no circo.

Quando visitou uma cidade perdida no Maranhão, sentiu o olhar da garota do vestido rosa. Após o espetáculo, bommbinha foi seguido ate o bar da cidade. Tomou sua primeira dose. Amarela e cortante. Um toque em sua mão trêmula. A moça do vestido rosa olhou no fundo dos olhos de bombinh. Depois disso houveram desdobramentos. Um. Dois. Três. Quatro. Cinco. Três garotas e dois garotos. So os homens eram anões. Marina era boa mãe, esposa e empresária. O circo prosperava. Desde a entrada de Marina na administração, o circo obtinha lucros inéditos e contratava mais e mais artistas. Mas o circo era de Bombinha.

Os anos haviam passado, e Bombinha não tinha mais a mesma vitalidade. Sua tremedeira só aumentava com o passar dos anos. Sua assistente sentia essas alterações. Via a deficiência de Bombinha. As doses de cachaça só aumentavam, e agora não era só depois da apresentação, mas antes também, como amenizador dos tremores e das dores que vinham com a tremedeira.

Bombinha se sentia cada vez mais velho e mais inseguro. Pensava em seus filhos, em tudo que construiu. Pensou em Marina.

Nesta noite, bombinha resolveu não beber. Quando se dirigia ao picadeiro, resolveu voltar ao seu trailler. Passou com seu Opala pela tenda onde brincavam todas as crianças do circo. Por onde passava o carro, ele levantava poeira. Todo o caminho iluminado por almpadas incandescentes. Bombinha seguiu até seu trailler.

O atirador de facas matou a punhaladas sua mulher e o homem que estava na sua cama. Onde foram geridos seus filhos. Onde amou a moça do vestido rosa.

Ainda insano, o anão pegou seu Opala e rodopiu como carro, fazendo subir uma nuvem de poeira, que grudava nas lágeimas da filha mais velha, que já podia entender tudo.

Com seu Opala, Bombinha foi até o ponto mais alto de um grande barranco que era um dos pontos mais altos/ visitados da cidade.

Só se viu a luz vermelha que sumiu na escuridão.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Frase do Dia:
Antes eu não acreditava em Relações Políticas. Hoje não acredito em ideologias!

segunda-feira, 19 de maio de 2008

A casa era grande para uma mulher só. Durante toda vida ela se castrou. Cuidou dos pais até suas respectivas mortes. Não tinha animais, namoros, pênis, amigos. Tinha os órgãos atrofiados. Nunca criou nada. Cultivava a horta deixada por seu pai no fundo da casa. Não tinha vida. Foi à horta como em qualquer dia. Esta plantação era toda organizada e cercada por madeiras branca. Foi, pegou as verduras e após atravessar a cerca ouviu o som de asas batendo. A velha olhou pra trás e viu um corvo posado na madeira. Corvo que olhava com seus olhos negros e densos para dentro dos olhos da mulher. Nesse exato momento ela sabia que não pisaria mais na horta. Nunca mais.
Todos os dias, a casa era toda aberta. Todas as portas e janelas. Buscando ventilação. Buscava uma vida comum a velha.
Em outro dia qualquer, o vento anunciava a chuva. O cheiro de terra molhada levou-a a recolher as roupas do varal. O corvo não estava mais na cerca. Indo ao ultimo quarto levar as roupas, encontrou na cabeceira da cama de seus pais, a ave. Veio a chuva e a janela desse quarto não foi mais fechada.
Mesmo suas comidas eram insossas, mornas,. Seu fogo cozinhava, mas não ardia. Tinha brasa e não chamas. Agora não indo mais à horta, pouco restava. Só comia os industrializados, os prontos, os frios.
A ave trouxe um algo novo e inédito, um sentimento. Sua casa agora tinha mais um dono.
A água da chuva que vinha do quarto invadiu a cozinha. A velha sabia que era hora de ir. Pegou alguns alimentos e foi para seu quarto. Quando pôs o pé para fora da cozinha ouvia mais uma vez o som das asas, mas não olhou. Já o esperava.
Deitada em sua cama com a o único sentimento da sua vida, trazido pelo corvo, navegando dentro se si, resolve ir até a lareira. Não era acesa desde a morte de seu pai. No sofá está o corvo, como ela já esperava. Com espantosa prática acende a lareira e com os olhos fechado atira-se nas chamas. Dentro do fogo, viu os olhos do corvo em um dialogo inenarrável.