No circo, Bombinha era um a das principais atrações. Bombinha, o anão atirador de facas. Vinha a frente do caminhão ao chegar nas cidades. Nasceu no circo. Cresceu no circo. E se reproduziu no circo.
Quando visitou uma cidade perdida no Maranhão, sentiu o olhar da garota do vestido rosa. Após o espetáculo, bommbinha foi seguido ate o bar da cidade. Tomou sua primeira dose. Amarela e cortante. Um toque em sua mão trêmula. A moça do vestido rosa olhou no fundo dos olhos de bombinh. Depois disso houveram desdobramentos. Um. Dois. Três. Quatro. Cinco. Três garotas e dois garotos. So os homens eram anões. Marina era boa mãe, esposa e empresária. O circo prosperava. Desde a entrada de Marina na administração, o circo obtinha lucros inéditos e contratava mais e mais artistas. Mas o circo era de Bombinha.
Os anos haviam passado, e Bombinha não tinha mais a mesma vitalidade. Sua tremedeira só aumentava com o passar dos anos. Sua assistente sentia essas alterações. Via a deficiência de Bombinha. As doses de cachaça só aumentavam, e agora não era só depois da apresentação, mas antes também, como amenizador dos tremores e das dores que vinham com a tremedeira.
Bombinha se sentia cada vez mais velho e mais inseguro. Pensava em seus filhos, em tudo que construiu. Pensou em Marina.
Nesta noite, bombinha resolveu não beber. Quando se dirigia ao picadeiro, resolveu voltar ao seu trailler. Passou com seu Opala pela tenda onde brincavam todas as crianças do circo. Por onde passava o carro, ele levantava poeira. Todo o caminho iluminado por almpadas incandescentes. Bombinha seguiu até seu trailler.
O atirador de facas matou a punhaladas sua mulher e o homem que estava na sua cama. Onde foram geridos seus filhos. Onde amou a moça do vestido rosa.
Ainda insano, o anão pegou seu Opala e rodopiu como carro, fazendo subir uma nuvem de poeira, que grudava nas lágeimas da filha mais velha, que já podia entender tudo.
Com seu Opala, Bombinha foi até o ponto mais alto de um grande barranco que era um dos pontos mais altos/ visitados da cidade.
Um comentário:
Bom!
Gosto do jeito que a história toda se conta pra chegar na última cena. Gosto da poeira nas lágrimas da filha mais velha.
Não sei por que, mas acho que essa coisa de circo itinerante combina um bocado com você.
E meu... anão atirado de facas?! Isso sim é a sua cara. O resto é balela.
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