segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Mais uma vez me peguei falando do passado.
Do tempo em que o tempo não importava. Éramos eternos.
Nossos corpos eram perfeitos, mas nossas mentes inexperientes.
Sonhávamos com coisas grandes, e acreditávamos que tudo estava em nossas mãos. Só em nossas mãos.
Nos apaixonávamos com mais frequência, e com maior intensidade.
Ouvíamos Beatles e nos sentíamos como filhos da terra-mãe.
Sujávamos os pés, riamos de coisas bobas, e cantávamos Legião em rodas de violão.
Nós até gostávamos de rodas de violão. Gostávamos de sentir nossas mãos se tocarem.
Hoje, a distancia, o tempo, ou mesmo a apatia não nos deixa nos encontrarmos só mais uma vez.
Vergonha de coisas que não fizemos.
Ou seria medo de mostrarmos o que nos tornamos?
Talvez ninguém tenha planejado, ou mesmo imaginado, nosso presente, mas mesmo assim temos vergonha do que somos hoje.
Mas tudo que somos hoje não devemos ao ontem?
Nossos sonhos destruíram nossos futuros. E nossos pudores prenderam nossos prazeres mais instintivos para todo o sempre.
Nada tem o mesmo sabor de antes. Muito mesmo o perfume que tinha.
Ah se eu pudesse falar tudo que ficou engasgado. Mas além de ser tarde, nem me lembro muito bem do que eu queria dizer. Pra quem, eu lembro. Mas isso já não faz tanta importância.
Como fazer o novo com tanta coisa ainda por resolver?
Mas elas nunca vão se resolver.
Esqueça isso tudo, e pé na tábua!

sábado, 24 de outubro de 2009


Tem dias que tudo parece dar certo.
Mas as coisas simplesmente não rolam... e tudo vai pro espaço...
Até mesmo certos pudores são postos a prova. Nada que desfaça suas limitações, mas faz optar por posições nunca antes tomadas.
(ODEIO USAR A PRIMEIRA PESSOA, MAS NÃO TENHO OUTRA OPÇÃO!) Tenho vontade de jogar tudo pra trás. Colocar tudo em uma mala bem grande e arremessá-la de um grande escada que dá num porão sem luz. Mas sempre que tento colocar a mão nas coisas que rejeito, elas gritam pra mim, e tudo que consigo fazer é ficar olhando pra elas enquanto elas respiram ofegantes.
Meu silêncio deixam elas calmas, até eu por a mão nelas de novo. E tudo começa outra vez.
2009 não foi um ano bom...
Há, isso até me lembra o nome do meu livro favorito: "1933 Foi Um Ano Ruim".
Todos temos perdas.
As perdas desse ano vão doer mais alguns anos pra mim.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009


"Não há nada mais estranho e melindroso do que a relação de pessoas que só se conhecem de vista - que se encontram e se observam diariamente, ou mesmo a toda hora, sem um cumprimento, sem uma palavra, forçadas a manter uma aparente indiferença de desconhecidos, por imposição dos costumes, ou por capricho pessoal. Há entre elas inquietação e curiosidade exacerbada, a histeria de uma necessidade insatisfeita, artificialmente reprimida, de travar conhecimento e comunicar-se, e também, sobretudo, uma espécie de respeito carregado de tensão. Pois o ser humano ama e respeira seus semelhantes enquanto não tem condições de julgá-los e o desejo é produto de um conhecimento imperfeito.”

Thomas Mann "Morte em Veneza"

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Alaor and the lost peanuts



Era dia de festa na casa de Alaor, estava completando 17 anos. Havia convidado toda a cidade, só não chamou o dono do mercado, porque seu pai era dentista:
-Por que, pai?
-Ele não vende farinha de trigo nem paçoca! Não gosto dele.
Não discutiu com seu pai, pois sabia que a cidade era antiga. Decidiu então comemorar. A festa foi num hospital, pois era um lugar neutro.
Sua namorada chegou atrasada na festa. Era um cocota que não acreditava que o homem pisou na Lua. Tinha guaraná e brigadeiro, mas Alaor estava infeliz. Encheu sua mochila de canetas e figurinhas e fugiu no meio da festa.
-Eu já volto, vou até a vídeo-locadora.
-Não esqueça de trazer o papagaio!
E foi para a estrada. Pegou carona num caminhão de galinhas. Foi até uma zona, onde conheceu um garçom que cantava em um cemitério.
-Como assim? Você canta em velórios?
-Não. No cemitério mesmo. Para os túmulos.
-O que você canta?
- Caubi Peixoto, Rollings Stones e Abba, mas eu gosto mesmo de Roberto Carlos.
Passou uma semana lá. Logo viu que lá não era lugar pra ele: não gostavam de Banco Imobiliário.
Alaor roubou uma mobilete e saiu na estrada em busca de um movimento retilíneo. Parou em um posto de gasolina e tentou comprar cerveja, mas já não tinha fôlego. Comprou uma pá.
Chegou em um pedágio. Passou três dias observando o vai-e-vem de carros enquanto cantava uma música de festa junina. No terceiro dia viu passar um ônibus da Viação Cometa e resolveu ir embora. Pegou a pá e enterrou a mobilete.
Chegou em um deserto no qual passava a estrada em que estava. Encontrou chorando na estrada um matador de aluguel que teve que sacrificar seu gato.
-Mas por que você fez isso?
-Porque eu queria jogar basquete
-E por que não comprou amendoim?
-Chega!
Alaor já estava com o saco cheio de sua mobilete, então pegou a pá e a enterrou. Achou um ioiô no fundo da mochila e vendo que jogar ioiô dá futuro, jogou o brinquedo no meio da estrada, e saiu correndo com assombro de um cacto. Notou que correr de nada servia então deu varias cambalhotas até vomitar. Ao ver o vômito lembrou do Mickey e sentiu sono. Sentou e observou as nuvens.
Depois de três horas pegou carona na Kombi de um tintureiro japonês.
-O que o senhor faz no meio do deserto?
-Lavo loupas, sou dono de uma tintulalia.
-Mas pra quem o senhor lava as roupas?
-Pala os meus flegueses.
-Ah, tá! O senhor tem jujubas?
-Sim, na caixa de felamentas.
Desceu em uma estação ferroviária. Tomou uma garapa e o trem pra casa. No trem conheceu uma garota com envelhecimento precoce que cantava a nona de Beethoven.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

"Foi onde um dia eu tive 20 anos"

Nussa... Como a vida é maluca!
Assisti ao filme "Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças" pela primeira, e até então, única vez em 2004. Achei o filme massacrante, chato e sem gracinha mesmo: Dormi como um bebê! Até babei no sofá de meu amigo.
No fim de semana passado, tive que reassisti-lo por questões profissionais. Agora fez todo o sentido pra mim. Principalmente a parte que o Joel tem que se "livrar" das coisas que lembravam a Clementine. Mas acho que isso é mais comum que imagino.
Depois, reassisti "Hiroshima, mon amour", outro filme do qual eu não lembrava de seu impacto sobre mim. Renais (sem quer ficar teorizando) trabalha com o lance da memória de uma maneira absurda.
Quando no lembramos de algumas coisas bem velhas, essas coisas ficam mais próximas e nós mais novos...
Sei que o que escrevo aqui não faz sentido nenhum, nem bem redigido está, mas é o que (mesmo indo e voltando pra lugar nenhum) eu estou sentido.
A vida é assim:
Temos amigos que deveriamos ter como amigos.
Pessoas que não são nossos amigos, nem nunca serão.
E outros que só a cordialidade vale por qualquer amizade.