sábado, 11 de abril de 2026


 A dois meses atrás, a vida estava bem diferente. Eu estava perdido mas estava tentando viver. Hoje não tenho mais nada. Estou indo na dentista e ela avisou que vai atrasar. Decidi esperar mais de uma hora na plataforma. Mas a vontade de pular...

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

É triste como não consigo nem quero me desvencilhar desse relacionamento. A única frase que vem na minha cabeça é: que o câncer volte e que eu sofra bastante.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

A última vez que como esse arroz

 Depois que ele foi embora, eu sabia que era a última vez que teria acesso a ele. O cheiro dele no pijama. A toalha usada. O perfume. E o arroz temperado dele. Doeu demais comer esse arroz.



terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Hoje é o fim da melhor parte da minha vida.

 Hoje eu terminei o amor da minha vida terminou comigo. Eu sabia que isso iria acontecer. Eu montei a situação pra isso acontecer. Talvez eu ache que esteja libertando ele. Mas estou criando mais um trauma. Mais uma repetição do que ele já sofreu. Eu nunca mais vou encontrar alguém próximo do que ele foi e é pra mim. Ele sempre será a pessoa que mais me senti bem nessa vida. Mas eu estraguei tudo. Mesmo amando. Mesmo tentando. Mesmo me esforçando. Eu errei. E terei que arcar com as consequências. Hoje, não sei como será amanhã. Mas vamos continuar. Espero não traumatizar mais ele.

domingo, 17 de março de 2024

Eu voltei aqui. Estou com aquele sentimento de não ter com quem conversar presente novamente. E sei que aqui, apesar do endereço óbvio, ninguém vai ler isso. Isso me conforta. Eu achava que era pelo fato de eu estar menos sociável que de hábito. Tudo bem que venho perdendo essa habilidade faz tempo, mas não era isso que me puxava pra cá. Acho que era o sentimento de estar sozinho novamente. Quanto mais alto o voo, maior a queda. E eu sei que foi isso. Eu vivia momentos difíceis, que nem entendo como consegui passar. Já era difícil sem fazer esforço, mas aí veio uma galera deixar tudo mais complicado. Não faz o menor sentido entrar nos pormenores disso tudo. Mas no exato momento que conheci o amor, minha percepção do mundo mudou. Nunca achei que sentiria isso algumas vez na vida. Nunca achei que eu conseguiria sentir a plenitude que senti. Eu sei que possivelmente isso esteja acabando. Eu acho triste. É tão sublime que eu sei que nunca mais vou sentir isso. Nunca mais vou ter momentos tão bons. Quando você atinge a perfeição, fica difícil superá-la. Acho que é por isso que as pessoas acreditam em reencarnação. Tem tanta coisa boa pra se sentir na vida. Eu realmente gostaria de sentir isso novamente. Exatamente com as pessoas que amo. É confortável se apoiar nisso. Não gera o tipo de sentimento que tenho sentido. Mas como dizem: Vida que segue. Não acho que eu desisti. Acho que é mais entender como as coisas são.

domingo, 17 de fevereiro de 2019

Gustavo tinha chegado da viagem. Mesmo ouvindo aquilo da boca da pessoa que ele mais confiava e amava, não conseguia pensar que aquilo era verdade.
Gustavo sabia que seu pai era quem sustentava a esperança na família. Sabia que agora toda a responsabilidade recairia sobre seus ombros e de seu irmão.
Nunca esperou receber essa notícia por seu irmão. Mas sabia que não poderia ser outra pessoa.
Quando o telefone tocou, estava cercado de amigos. Quando desligou o telefone, estava sozinho dentro de si.
Aquele dia passou voando.
Aquela viagem demorou uma eternidade.
Chegou na rodoviária que seu pai sempre o buscava, só que agora, não era o Voyage 86 que o esperava.
Tinha o mundo ao seu lado, esperando para recolher suas lágrimas, mas só precisava encontrar uma pessoa.
Perguntava a seu tio como as coisas estavam indo. Sua mãe, sua avó, seus parentes, sobre quem foi avisado. Mas não perguntava de seu irmão. Só queria vê-lo. Perguntar diretamente a ele. Só choraria de verdade no ombro dele. Só quando seu irmão, alguém que realmente o entenderia, estivesse ao seu lado.
A viagem da rodoviária até o velório municipal foi longa. Longa o suficiente para não ter o que perguntar e ter que pensar. Não sentia mais nada.
Barba por fazer, camiseta barata, e ressaca, da festa que seu Miguel tinha dado de presente de aniversário ao filho. Gustavo não era o modelo de filho que chega ao velório do pai. Mas sua família nunca foi modelo de nada. Eles só se amavam. E isso era suficiente pra eles.
Depois de algumas horas de social, de um velório que a unidade familiar de Gustavo (Sua mãe, seu irmão e ele mesmo) controlou de forma autoritária, por isso mesmo, da forma como o finado Miguel gostaria, Gustavo foi a um supermercado comprar alguma bobagem pra fingir que almoçou.
O mundo é irônico! E Gustavo sabia disso. Mas a único ensinamento que lembrava de seu pai naquele mercado era que deve-se rir de tudo. Na pior das hipóteses, ria! Pelo menos você se diverte sem ter que dar satisfações a ninguém.
Quando admitiu a si mesmo que tudo aquilo era mais uma etapa, que segundo aquilo que acreditava, a morte de seu pai não era nada mais que um acontecimento natural e que, com um apego a sua educação cristã, seu pai estaria ainda presente em seu cotidiano de alguma forma mística, começou a tocar "Marvin" dos Titãs no mercado.
Gustavo sorriu com um canto de boca e disse:
- Migueleza! Seu filho da puta! Você tira sarro até da sua própria morte!

O tempo.

Mais uma vez, André perguntou pra sua mãe se estavam chegando.

- Tamo quase lá!

As vacas já eram todas iguais no mesmo interminável pasto.

Sua língua estava seca. Já não tinha mais graça ficar de boca aberta na janela. O rádio tocava uma fita dos Mamonas Assassinas.

Já com o saco cheio, deitou-se no banco de trás e começou a olhar o tecido do teto do carro:

Era velho, de couro, todo cheio de buraquinhos.

Teve uma estranha sensação de profundidade que o fez esticar o braço e tocar no tecido.

A sensação continuou, mas pelo menos tinha certeza que as coisas estavam em seu lugar.

Ficou ainda um tempo observando as nuvens no céu.

Levando e esticou as pernas no banco, encostando as costas no vidro lateral. A luz do sol batia em sua nuca e os raios solares chegavam os dedos de seu pé.


"Nada é mais importante do que uma biblioteca não lida" John Waters.
"Você quer ter notícias minhas", escreve Cowper a William Unwin, em 1780. "Essa é uma boa razão para eu escrever a você ""mas não tenho nada a contar-- e essa é uma razão igualmente boa para eu não escrever a você. Mas, se você tivesse desmontado do seu cavalo na nossa casa de manhã, e no momento em que escrevo esta carta, às cinco da tarde, tivesse tido a oportunidade de dizer para mim, sr. Cowper, o senhor nada disse desde que eu entrei, está determinado a nunca mais falar comigo?, seria uma péssima réplica se, ao atender a sua convocação, eu mencionasse a falta de coisa importante como minha melhor e única desculpa..." 

terça-feira, 12 de abril de 2016

2016 e meus 30 anos

Eu tenho 30 anos. Não sou mais um jovem. Não nos termos legais. 
Talvez isso seja legal. 
Eu não tenho mais tanto tempo como gostaria.
Tenho mais dinheiro do que jamais tive.
E tenho mais gente pra encontrar e rever e menos vontade de vê-las.
É interessante notar como as memórias ficam mais claras e ligamos mais as pessoas ao que elas representaram pra nossa vida.
Sempre olho na coluna de conversas do facebook e vejo cada rostinho e acabo lembrando de como aquela pessoa entrou na minha vida. Não que isso faça diferença em como vou aborda-la, mas inclui uma visão mais madura das relações e como chegamos onde a amizade se encontra. Amigos de verdade ou apenas um contato no facebook.
Ainda ouço as mesmas musicas, mas compro menos bonecos (eram action figure, mas voltaram a ser só bonecos...) e talvez seja mais cuidadoso com minha alimentação. Chá verde não é mais uma opção. É obrigação.
Meu corpo já nao aguenta tanta bebida alcoolica. E cerveja é sim uma companheira boa pra dias tranquilos. Nada de festa open bar...
É gostoso sentir isso. É gostoso sentir seu corpo envelhecer.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

-Tinha oceanos?
-Se tinha! Oceanos enormes, com ondas, bem azuis...
-Não tolero oceanos.
-Me diga uma coisa... você se dá bem com os outros robôs?
-Detesto todos.

Guia do Mochileiro das Galáxias. Pág 112

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Nada melhor que o cheiro de um café recém passado depois de uma noite cagada e cheia de pensamentos confusos... É no raiar do sol a menor temperatura do dia. É bom pra refrescar as ideias...

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

 É engraçado como depois de algum tempo que você mora sozinho (seja fisicamente, seja longe de pessoas com quem você deve ter algum tipo de relação mais profunda) você perde a noção de como viver em grupo.
 Depois de quase dois anos longe de pessoas que fizeram parte de minha formação, ter que se adaptar com o ambiente caseiro de convivência familiar tem se mostrado uma tarefa de reaprendizagem.
 Não que os sentimentos mudaram. Só as necessidades mudaram.E as situações mudaram mais ainda.
 Ter que controlar os palavrões, as cobranças naturais, como por exemplo, avisar pra onde você está indo, se pegou a chave, que horas volta, se almoçou... essas coisas...
 E é engraçado como a falta de um membro do grupo é muito mais sensibilizada. E as lembranças da peça que falta são mais frequentes...
 Mas por outro lado, é mais intensa a noção daquilo que não queremos nos tornar, ou mesmo, a imaginação criando suposições a respeito do ponto de vista de quem não está mais aqui. Isto de certa maneira se torna uma auto-avaliação impulsionadora e a sensação de recompensa por cada trabalho terminado é mais gratificante. "Ele estaria feliz vendo isso..." Ou será que está? Será que está vendo tudo? Será que está feliz com isso? Acho que nunca saberei. Mas só de imaginar fico mais feliz.
 O mais interessante nisso tudo é eu querer me integrar a algo que não é meu e acredito nunca será meu. Até hoje, posso dizer que desse novo que convivo hoje só difere em uma peça do antigo que foi substituída. A peça mais velha que guiava todos nós foi trocada pela peça que, de certa maneira, todos nós guiamos.      
 Enquanto o antigo fazia festas de natal por nós que eramos menores, hoje, sem o menor ânimo para qualquer comemoração deste tipo, nos esforçamos para mantermos em nossas vidas algo que nos encantava , só pra manter a tradição e continuar o legado. No fim das contas, o bastão que de certa forma era carregado por um só em função de três, hoje é carregado por quatro em função de uma. Todas vezes que pensamos que nada mais tem graça em função da falta do antigo membro, lembramos que o novo membro tem tudo pela frente e por isso, é nossa vez de assumirmos a situação e fazer isso valer a pena.
 E lá vamos nós mais em um fim de ano: Sem um pingo de vontade, mas fazendo tudo pra que dê certo!

domingo, 17 de abril de 2011

Só havia o silêncio.
Só havia as árvores e mais silêncio. E era lá que Marina de refugiava de seus sentimentos. Sentada ao pé da árvore. Observando o nada e não pensando em nada. Só estava lá. Sentindo que não sentia mais seu corpo. Observando suas pernas como se não fossem mais suas. Lhe eram estranhas. Seu pés, seus dedos. Não era dela. Senta os insetos que nelas pousavam. Sentia as picadas. Mas não se mexia.

Seu corpo estava lá, em completo repouso. Até sua respiração era sutil. Quase que inexistente. Não era mais Marina que estava lá. Marina não se discriminava daquela terra, daquele lugar. Sentia parte daquela árvore, sentia um desdobramento de todo daquele lugar.

Voltou ao seu corpo com pequenos movimentos. Sentindo cada um desses movimentos com extrema intensidade. Como se fosse a primeira vez que reconhecia aquele corpo.

Sua mão tocou a terra. Sentiu o calor que saia de lá quando entrava cada vez mais a mão no solo. Começou a cavocar. Cada vez mais. Com as unhas. Com mais intensidade. Entrando. Rasgando. Violando aquilo que era seu. Havia sangue em suas mãos, mas não sabia de onde vinha. Não conseguia parar.

Queria entrar naquela terra. Queria finalmente se encontrar imersa naquilo que era seu. Encheu suas mãos com aquele barro misturado com sangue e esfregou em seu rosto. Seu peito pulsava. Respirava com a boca, sentindo o calor daquela terra em sua língua. Pegou um punhado daquela mistura e encheu sua boca. Fechou os olhos e sentiu sua língua passeando por aquela mistura. Mastigou e sentiu os pedregulhos riscando seus dentes. Passou as mãos na testa, pondo seus cabelos para trás. Esticou seu pescoço e engoliu parte daquilo que também era parte sua.

Ficou estática. Seu corpo reagia com o que estava em seu estômago. Não poderia só ela ficar com algo de fora. Queria de entregar também. E seu corpo já sentia que isso era necessário.

Com um urro profundo, sentiu seu corpo se esticando para todos os lados e seu estômago jogando pra fora uma mistura além do barro e do sangue que Marina tinha ingerido.

Só restava a Marina juntar tudo aquilo que jazia no pé da árvore e enterrar naquela mesma vala que havia aberto com suas unhas. Era lá que aquela mistura deveria ficar. Era lá que Marina havia se encontrado.

Marina se levantou. Sorriu. Olhou para suas mãos e imaginou seu rosto. Deu uma risada de satisfação e alegria. Fechou os olhos e se abraçou.

Fez uma reverância aquele local antes de sair. Seguiu em direção a casa de sua avó. Com um sorriso em seus lábios sujos mostrando seus dentes sujos.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Esse - http://aostrabebada.tumblr.com/ - faz parte deste. E vice-versa.