A Ostra Bêbada
sábado, 11 de abril de 2026
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026
A última vez que como esse arroz
Depois que ele foi embora, eu sabia que era a última vez que teria acesso a ele. O cheiro dele no pijama. A toalha usada. O perfume. E o arroz temperado dele. Doeu demais comer esse arroz.
terça-feira, 17 de fevereiro de 2026
Hoje é o fim da melhor parte da minha vida.
Hoje eu terminei o amor da minha vida terminou comigo. Eu sabia que isso iria acontecer. Eu montei a situação pra isso acontecer. Talvez eu ache que esteja libertando ele. Mas estou criando mais um trauma. Mais uma repetição do que ele já sofreu. Eu nunca mais vou encontrar alguém próximo do que ele foi e é pra mim. Ele sempre será a pessoa que mais me senti bem nessa vida. Mas eu estraguei tudo. Mesmo amando. Mesmo tentando. Mesmo me esforçando. Eu errei. E terei que arcar com as consequências. Hoje, não sei como será amanhã. Mas vamos continuar. Espero não traumatizar mais ele.
domingo, 17 de março de 2024
domingo, 17 de fevereiro de 2019
Gustavo sabia que seu pai era quem sustentava a esperança na família. Sabia que agora toda a responsabilidade recairia sobre seus ombros e de seu irmão.
Nunca esperou receber essa notícia por seu irmão. Mas sabia que não poderia ser outra pessoa.
Quando o telefone tocou, estava cercado de amigos. Quando desligou o telefone, estava sozinho dentro de si.
Aquele dia passou voando.
Aquela viagem demorou uma eternidade.
Chegou na rodoviária que seu pai sempre o buscava, só que agora, não era o Voyage 86 que o esperava.
Tinha o mundo ao seu lado, esperando para recolher suas lágrimas, mas só precisava encontrar uma pessoa.
Perguntava a seu tio como as coisas estavam indo. Sua mãe, sua avó, seus parentes, sobre quem foi avisado. Mas não perguntava de seu irmão. Só queria vê-lo. Perguntar diretamente a ele. Só choraria de verdade no ombro dele. Só quando seu irmão, alguém que realmente o entenderia, estivesse ao seu lado.
A viagem da rodoviária até o velório municipal foi longa. Longa o suficiente para não ter o que perguntar e ter que pensar. Não sentia mais nada.
Barba por fazer, camiseta barata, e ressaca, da festa que seu Miguel tinha dado de presente de aniversário ao filho. Gustavo não era o modelo de filho que chega ao velório do pai. Mas sua família nunca foi modelo de nada. Eles só se amavam. E isso era suficiente pra eles.
Depois de algumas horas de social, de um velório que a unidade familiar de Gustavo (Sua mãe, seu irmão e ele mesmo) controlou de forma autoritária, por isso mesmo, da forma como o finado Miguel gostaria, Gustavo foi a um supermercado comprar alguma bobagem pra fingir que almoçou.
O mundo é irônico! E Gustavo sabia disso. Mas a único ensinamento que lembrava de seu pai naquele mercado era que deve-se rir de tudo. Na pior das hipóteses, ria! Pelo menos você se diverte sem ter que dar satisfações a ninguém.
Quando admitiu a si mesmo que tudo aquilo era mais uma etapa, que segundo aquilo que acreditava, a morte de seu pai não era nada mais que um acontecimento natural e que, com um apego a sua educação cristã, seu pai estaria ainda presente em seu cotidiano de alguma forma mística, começou a tocar "Marvin" dos Titãs no mercado.
Gustavo sorriu com um canto de boca e disse:
- Migueleza! Seu filho da puta! Você tira sarro até da sua própria morte!
O tempo.
- Tamo quase lá!
As vacas já eram todas iguais no mesmo interminável pasto.
Sua língua estava seca. Já não tinha mais graça ficar de boca aberta na janela. O rádio tocava uma fita dos Mamonas Assassinas.
Já com o saco cheio, deitou-se no banco de trás e começou a olhar o tecido do teto do carro:
Era velho, de couro, todo cheio de buraquinhos.
Teve uma estranha sensação de profundidade que o fez esticar o braço e tocar no tecido.
A sensação continuou, mas pelo menos tinha certeza que as coisas estavam em seu lugar.
Ficou ainda um tempo observando as nuvens no céu.
Levando e esticou as pernas no banco, encostando as costas no vidro lateral. A luz do sol batia em sua nuca e os raios solares chegavam os dedos de seu pé.
terça-feira, 12 de abril de 2016
2016 e meus 30 anos
terça-feira, 11 de fevereiro de 2014
domingo, 9 de fevereiro de 2014
quinta-feira, 13 de dezembro de 2012
Depois de quase dois anos longe de pessoas que fizeram parte de minha formação, ter que se adaptar com o ambiente caseiro de convivência familiar tem se mostrado uma tarefa de reaprendizagem.
Não que os sentimentos mudaram. Só as necessidades mudaram.E as situações mudaram mais ainda.
Ter que controlar os palavrões, as cobranças naturais, como por exemplo, avisar pra onde você está indo, se pegou a chave, que horas volta, se almoçou... essas coisas...
E é engraçado como a falta de um membro do grupo é muito mais sensibilizada. E as lembranças da peça que falta são mais frequentes...
Mas por outro lado, é mais intensa a noção daquilo que não queremos nos tornar, ou mesmo, a imaginação criando suposições a respeito do ponto de vista de quem não está mais aqui. Isto de certa maneira se torna uma auto-avaliação impulsionadora e a sensação de recompensa por cada trabalho terminado é mais gratificante. "Ele estaria feliz vendo isso..." Ou será que está? Será que está vendo tudo? Será que está feliz com isso? Acho que nunca saberei. Mas só de imaginar fico mais feliz.
O mais interessante nisso tudo é eu querer me integrar a algo que não é meu e acredito nunca será meu. Até hoje, posso dizer que desse novo que convivo hoje só difere em uma peça do antigo que foi substituída. A peça mais velha que guiava todos nós foi trocada pela peça que, de certa maneira, todos nós guiamos.
Enquanto o antigo fazia festas de natal por nós que eramos menores, hoje, sem o menor ânimo para qualquer comemoração deste tipo, nos esforçamos para mantermos em nossas vidas algo que nos encantava , só pra manter a tradição e continuar o legado. No fim das contas, o bastão que de certa forma era carregado por um só em função de três, hoje é carregado por quatro em função de uma. Todas vezes que pensamos que nada mais tem graça em função da falta do antigo membro, lembramos que o novo membro tem tudo pela frente e por isso, é nossa vez de assumirmos a situação e fazer isso valer a pena.
E lá vamos nós mais em um fim de ano: Sem um pingo de vontade, mas fazendo tudo pra que dê certo!


