Parece que estou na fase de encontrar pessoas do passado. E isso está sendo bom!
Enfim, tentando montar uma linha de raciocínio, vou escrever (mesmo sabendo que no final nem eu vou entender o que eu escrevi...).
Faz alguns dias, estava passando num canal do cabo o filme Um Grande Garoto baseado no livro do "badaladinho" Nick Hornby. Bom, pra quem não conhece, o filme conta a história de um adulto que começa uma amizade caótica com um garoto. Ambos têm problemas de relacionamento. No fim, ambos se ajudam como era esperado.
Vendo o filme, lembrei que num momento caótico, eu tive um amigo como no filme.
Estávamos ambos numa fase caótica: eu, entrando em uma escola nova, estudando pro vestibular e me apaixonando da forma mais dolorida até então. Ele, sofrendo com o fato de não ser mais filho único, portanto ter que assumir a posição de "irmão mais velho", e com a iminência da mudança de estado (acho que a família iria pro Paraná).
Eu tinha meus amigos, da minha idade, e ele tinha os amigos da idade dele. Mas quando nos encontrávamos parecia que éramos da mesma idade. Um monte de piadas sem graça, caretas e reprovação de todos os outros à nossa volta. Principalmente do bibliotecário da escola, já que nosso ponto de encontro era a biblioteca. Muita gente dizia que éramos muito parecidos fisicamente, e depois de um tempo começamos a brincar que éramos irmãos de verdade. Era o mais próximo de que nossa relação chegava perto, irmandade. Eu com meus problemas, ele com os dele, quando juntos curtíamos, ele como reflexo da criança que eu estava abandonando, e eu como um modelo que ele buscava ser. Claro que isso de uma forma muito subjetiva e, talvez por isso mesmo, tão carinhosa, sem muito sentido.
Mesmo não tendo a mínima idéia de onde ele possa estar hoje, guardo um sentimento que tenho por poucas pessoas. Um carinho por alguém que fez parte de um momento muito importante na minha vida. E toda vez que eu me lembrar dessa época, vai me lembrar do meu primeiro vestibular, minha paixão que me fazia sofrer a toa, e o mais importante, vai me lembrar do meu “irmãozinho”, que deixava meus intervalos mais leves. E a cabeça do Carlão, o bibliotecário, fervendo.
Um comentário:
Acho muito legal quando relatamos com uma certa nostalgia das coisas que nos aconteceram... E são com esses amigos que aprendemos sem saber que estamos aprendendo..
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