quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

 É engraçado como depois de algum tempo que você mora sozinho (seja fisicamente, seja longe de pessoas com quem você deve ter algum tipo de relação mais profunda) você perde a noção de como viver em grupo.
 Depois de quase dois anos longe de pessoas que fizeram parte de minha formação, ter que se adaptar com o ambiente caseiro de convivência familiar tem se mostrado uma tarefa de reaprendizagem.
 Não que os sentimentos mudaram. Só as necessidades mudaram.E as situações mudaram mais ainda.
 Ter que controlar os palavrões, as cobranças naturais, como por exemplo, avisar pra onde você está indo, se pegou a chave, que horas volta, se almoçou... essas coisas...
 E é engraçado como a falta de um membro do grupo é muito mais sensibilizada. E as lembranças da peça que falta são mais frequentes...
 Mas por outro lado, é mais intensa a noção daquilo que não queremos nos tornar, ou mesmo, a imaginação criando suposições a respeito do ponto de vista de quem não está mais aqui. Isto de certa maneira se torna uma auto-avaliação impulsionadora e a sensação de recompensa por cada trabalho terminado é mais gratificante. "Ele estaria feliz vendo isso..." Ou será que está? Será que está vendo tudo? Será que está feliz com isso? Acho que nunca saberei. Mas só de imaginar fico mais feliz.
 O mais interessante nisso tudo é eu querer me integrar a algo que não é meu e acredito nunca será meu. Até hoje, posso dizer que desse novo que convivo hoje só difere em uma peça do antigo que foi substituída. A peça mais velha que guiava todos nós foi trocada pela peça que, de certa maneira, todos nós guiamos.      
 Enquanto o antigo fazia festas de natal por nós que eramos menores, hoje, sem o menor ânimo para qualquer comemoração deste tipo, nos esforçamos para mantermos em nossas vidas algo que nos encantava , só pra manter a tradição e continuar o legado. No fim das contas, o bastão que de certa forma era carregado por um só em função de três, hoje é carregado por quatro em função de uma. Todas vezes que pensamos que nada mais tem graça em função da falta do antigo membro, lembramos que o novo membro tem tudo pela frente e por isso, é nossa vez de assumirmos a situação e fazer isso valer a pena.
 E lá vamos nós mais em um fim de ano: Sem um pingo de vontade, mas fazendo tudo pra que dê certo!

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