domingo, 17 de fevereiro de 2019

O tempo.

Mais uma vez, André perguntou pra sua mãe se estavam chegando.

- Tamo quase lá!

As vacas já eram todas iguais no mesmo interminável pasto.

Sua língua estava seca. Já não tinha mais graça ficar de boca aberta na janela. O rádio tocava uma fita dos Mamonas Assassinas.

Já com o saco cheio, deitou-se no banco de trás e começou a olhar o tecido do teto do carro:

Era velho, de couro, todo cheio de buraquinhos.

Teve uma estranha sensação de profundidade que o fez esticar o braço e tocar no tecido.

A sensação continuou, mas pelo menos tinha certeza que as coisas estavam em seu lugar.

Ficou ainda um tempo observando as nuvens no céu.

Levando e esticou as pernas no banco, encostando as costas no vidro lateral. A luz do sol batia em sua nuca e os raios solares chegavam os dedos de seu pé.


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